O território brasileiro possui mais
de 215 milhões de habitantes e, dentro desse universo de milhões de
pessoas, 57,7% têm mais de 30 anos de idade (crescimento registrado
em 2019). Essa é uma das características, dentre diversas outras,
da população brasileira. Ainda que seja um dado geral, não deixa de
ser importante para inferir uma série de outros aspectos relativos
aos habitantes do país.
Assim também são os dados
referentes aos consumidores. No mundo digitalizado de hoje, quanto
maior o número de informações das quais as empresas disponham, mais
fácil será para elas montar estratégias de marketing que alcancem
os possíveis clientes no momento exato de suas jornadas. Dessa
mesma maneira, funciona para as seguradoras.
A jornada não é
linear
Com tantas informações disponíveis
em diversas plataformas e ao mesmo tempo, os consumidores interagem
com vários canais ao mesmo tempo e isso tornou mais difícil para as
seguradoras conseguir delinear a jornada de compra do consumidor
médio de seguros.
Por exemplo, se analisar os perfis
de vídeos assistidos no youtube por um consumidor, o resultado
poderá ser: de vídeos sobre curiosidades dos bastidores do cinema
(como os filmes são feitos, preparação de atores e efeitos
visuais), canais de crimes reais, humor stand up, desenhos
satirizados até dicas de investimentos e yoga. Ou seja: não há uma
consistência nem uma linearidade em relação à natureza daquilo que
é consumido. Ademais, tem ainda as outras plataformas como:
Facebook, Instagram, Tik Tok, Twitter, etc.
Primeira ação é
organizar
Muitas vezes, o problema não é
falta de dados, já que as seguradoras normalmente possuem ou têm
acesso a grandes volumes de dados relacionados a seus clientes e
prospects. A questão é que eles costumam estar bagunçados e/ou
desatualizados.
O problema é que ter os dados dos
clientes mal organizados é o mesmo que ter os arquivos contábeis,
administrativos e de estoque de uma empresa espalhados por todos os
armários e embaralhados entre si. ou seja: eles estão lá, eles
existem, no entanto, sua utilidade depende, antes, do exercício de
localizá-los e catalogá-los para, só depois, conseguir analisá-los
e torná-los disponíveis para o uso. A organização é, inclusive, um
dos princípios da administração de qualquer negócio, segundo Henri
Fayol, Assim deve ser feito com os dados primários dos possíveis
segurados para que as seguradoras utilizem esses dados para gerar
engajamentos de clientes mais relevantes, melhorando as taxas de
sucesso de marketing ao criar campanhas direcionadas a pessoas com
características e hábitos semelhantes.
Tecnologia para extrair
insights
Há hoje, no mercado, algumas
tecnologias que podem colaborar fortemente para que as seguradoras
consigam extrair insights a partir dos dados dos clientes. Dentre
elas, destacam-se:
- Business Intelligence: mais conhecido pela sua sigla BI,
significa Inteligência de Negócios, em tradução livre. O BI é um
conjunto de técnicas e de ferramentas que visam oferecer suporte à
tomada de decisão e ao monitoramento de resultados dos
investimentos da empresa. O BI tem a capacidade de transformar
grandes quantidades de informações que, sozinhas, não significam
muito, em informações essenciais para uma boa gestão. No entanto,
quando são trabalhados de maneira conjunta, pode revelar uma
série de insights que vão ajudar na gestão. Muitos chamam o BI de
inteligência empresarial por abranger todos os setores da empresa,
desde o financeiro, operacional, comercial, até o marketing.
O Business Intelligence, por meio
da inteligência artificial e outras práticas, é uma forma de
agrupar diferentes fontes de dados e explorar informações para
descobrir vantagens para o negócio. Assim, o objetivo central
dele é auxiliar na interpretação e análise de dados e informações,
para identificar oportunidades ou riscos.
Benefícios
Alguns dos benefícios do BI
são:
Curvas de consumo;
Clientes que mais compraram;
Quando compraram;
Quais geraram a melhor
rentabilidade;
Facilita o acesso e o
compartilhamento de informações que darão suporte à gestão;
Permite análise em tempo real com
navegação rápida;
Identifica oportunidades de vendas
cruzadas e de vendas diretas;
Obtém informações valiosas sobre o
comportamento dos clientes.
2) CRM – Customer Relationship
Management (Gestão de Relacionamento com o Cliente): é um conjunto
de estratégias de gestão de relacionamento com o cliente voltadas
ao entendimento e antecipação das suas necessidades por meio do
apoio de um software específico. O CRM administra as informações
necessárias de modo a fazer um mapeamento do comportamento do
cliente gerando dados que podem servir de insumo para estratégias
futuras e melhorias de produto. Por isso, o CRM é uma ferramenta
que viabiliza a criação de um excelente Customer Experience.
Vantagens
Algumas vantagens do CRM:
Informações organizadas e
centralizadas;
Conhecimento mais aprofundado dos
clientes;
Melhor aproveitamento do tempo;
Aumento da satisfação do
cliente;
Criação de novas oportunidades de
negócios.
Ter a LGPD como critério
básico
Obviamente, para se tornar uma
seguradora centrada no cliente é imprescindível estar atenta a
todas as regulamentações do setor e de privacidade, como a LGPD
(Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), para proteger os dados
do consumidor.
Na governança de dados, a
disponibilidade, integridade e segurança dos dados do consumidor
são reguladas por padrões internos de dados e legislação
específica. Assim, pessoas, procedimentos e tecnologia de todas as
facetas da coleta de dados trabalham juntos para conseguir proteger
os dados do consumidor, com grande ênfase tanto na ética quanto na
segurança.
Hiperpersonalização como
estratégia
Adotando uma abordagem focada no
cliente, as seguradoras podem alcançar os consumidores em todos os
canais com mensagens personalizadas. E a vantagem é que a
hiperpersonalização recomenda produtos com base no histórico de
pesquisa do cliente e essa interação personalizada, resulta em uma
aproximação entre cliente e marca que nenhuma outra estratégia
oferece. Além disso, a hiperpersonalização identifica os aspectos
em que a seguradora apresenta falhas na jornada de consumo,
conseguindo mostrar exatamente os pontos que podem ser
aperfeiçoados no processo.
Os caminhos são variados e os
resultados são positivos
Portanto, há muitos caminhos para
que as seguradoras possam usar dados para extrair insights sobre os
clientes e, assim, desenvolver soluções de venda adequadas aos
comportamentos e às necessidades de seus atuais e potenciais
clientes, melhorando o Customer Experience, aumentando a conversão,
potencializando as vendas dos corretores e, consequentemente,
aumentando a lucratividade.